Pedra da Caveira - Araruna, PB

Estamos iniciando mais uma expedição pelo Semiárido, desta vez, com uma turma de 47 pessoas entre alunos e professores do Ensino Médio e Técnico Profissionalizante e alunos universitários de várias cidades da Paraíba, selecionados no II Concurso de Redação e Artigo Científico, promovido pelo Programa de Estudos e Ações Para o Semiárido e Museu do Semiárido da Universidade Federal de Campina Grande e Fundação Parque Tecnológico da Paraíba. No ano passado, primeira edição do concurso, os premiados com a viagem, conheceram vários municípios e suas riquezas do Semiárido paraibano.

Este ano, começamos a ampliar o roteiro e inserimos uma parte do Semiárido do Rio Grande do Norte. Nossa viagem começou na manhã de segunda-feira (dia 11), debaixo de chuva, muita chuva, mas que não nos impediu de seguir com o roteiro programado. Nosso primeiro destino do dia foi o Parque Estadual Pedra da Boca, em Araruna. Liiiiinnnnndddooo!Lugar muito bonito e com fantásticas formações nas pedras que nos impressiona. Interessante ver o que a natureza faz. Pedras enormes em formatos varaiados: boca (por isso o nome do lugar), em formato de coelho, caveira, peixe boi, do carneiro, pedra do letreiro (Pedra da Santa), entre outras,que a nossa imaginação vai criando.

Segundo nosso guia nessa trilha, Seu Tico (antigo morador da região), o Parque Estadual Pedra da Boca está localizado no Sítio Água Fria, na divisa entre PB e RN, e possui uma extensão teritorial de 157 ha. O local é muito rico em vegetação. Interessante ver as antigas mangueiras (de + de 100 anos) que servem de descanso para os andarilhos e grupos de estudos como o nosso. De acordo com Seu Tico, mais de 40% das mangueiras do local estão mortas, foram contaminadas pelo “Mal do Recife” (fungo) que está atacando as mangueiras do sítio e que, até agora, nada tem sido feito para evitar a erradicação da doença.

Mas, o Parque é um local que vale a pena conhecer. E que, atualmente, é bastante frequentado por escaladores e alunos de escaladas, suas pedras são a principal atração do lugar. Seguindo pela trilha que nos leva a Pedra da Santa, pudemos ver as caneluras, desenhos que a água faz nas pedras, passamos pela cabana dos velhos caçadores, derrubada pela ação do tempo, mas que ainda guarda resquícios preciosos da história dos nossos antepassados, de mais de 100 anos. Muita riqueza histórica foi perdida no tempo, porque não houve o cuidado de quem achou em preservar e guardar, a exemplo de panela e machadinha de pedra, produzidas pelos antigos moradores, os índios Tapuias e Cariris. Passamos pela Pedra do Fôrno e fomos em direção a Pedra do Letreiro, chamada assim devido as inscrições rupestres existentes no local, mas que hoje é chamada de Pedra da Santa, onde na décade de 1950, foi colocada a imagem de Nossa Senhora de Fátima. Hoje, além da gruta, foi erguido um grande santuário, onde todo dia 13 de cada mês é celebrada uma missa. Muitos peregrinos e religiosos vão lá pagar promessas. Infelizmente, a chuva não nos permitiu visitar as cavernas, porque se torna muito escorregadio e, portanto, perigoso para nossos exploradores. E, como estamos num grupo grande (quase 50 pessoas) é melhor prevenir do que remediar, uma vez que a responsabilidade pela segurança desses jovens é muito grande.

Saimos de Araruna após almoçar no Restaurante de Seu Tico, que nos serviu uma comiga regional simples mas muito saborosa. Muita chuva na continuação da viagem até Caicó, onde chegamos à noite para o pernoite. O jantar foi numa churrascaria local, regado ao som de um trio de forró, que animou a garotada. Teve trenzinho e uma quadrilha improvisada, para entrosar a turma. Na manhã seguinte. levantamos cedo para fazer uma trilha na Estação Ecológica do Seridó, localizada em Serra Negra do Norte. Cidade encantadora, acolhedora e bem pitoresca. Na estação, fizemos a Trilha da Caveira, conhecemos várias plantas nativas do Seridó, animais em extinção e o trabalho do Instituto Chico Mendes em preservar a fauna e flora da região. O grupo foi recebido pelo agrônomo George Stephenson Batista, responsável pelo herbário local, que nos acompanhou na trilha, e pelo médico e biólogo Adalberto Freire, responsável pela coleção científica de animais e plantas, que guarda cerca de 100 mil exemplares, considerada a maior coleção do Nordeste. Segundo ele, tem material de 1986 e 70% é da Caatinga local. A coleção mostra várias espécies de formigas (cerca de 5 mil exemplares), borboletas, aranhas, onça, entre outros animais e plantas.

Na cidade de Serra Negra, o grupo foi muito bem recebido pela Prefeitura local, com uma atração cultural na Casa da Cultura Popular, com apresentação teatral, musical e artística no Auditório José Lucas de Barros. Lá, o grupo conheceu também O Clube de Mães Maria Luiza Salviano e o artesanato produzido pelas mães, a exemplo do bordado, pinturas, bonecas de pano etc. O almoço foi na Chácara Nova Vida, bem próximo à cidade de Serra Negra do Norte. Lugar aconchegante, com chalés e uma bela paisagem serrana. Após um almoço delicioso, com um show à parte das meninas que fazem a dupla D’Voice. A viagem prosseguiu, agora rumo ao Parque Estadual Vale dos Dinossauros, onde o grupo chegou ao pôr do sol. Pegadas dos animais pré-históricos, ainda marcam o solo daquela região, hoje, em avançado estado de degradação pelo tempo. Mas, segundo Robson Araújo Marques, guia local, existe um projeto entre o Governo do Estado e a Petrobrás que promete reformar todo o Parque. “Agora é pra valer”, disse ele, todo animado. Vê-se em seus olhos o amor pelo que fez e continua fazendo em prol da preservação da história daquela região. Robson até criou um poema para os jovens da expedição que começa com um conselho “… Quer vencer na vida, persevere…”.

A noite foi na Estância Termal Brejo das Freiras, município de São João do Rio do Peixe (Alto Sertão paraibano), onde o grupo se encontra até o almoço, com um tempo para descanso e socialização. À tarde, continuamos a expedição. Nosso próximo destino será a subida ao Pico do Jabre, previsto para a manhã de quinta-feira (14). E continua a expedição pelo fantástico Semiárido…

Helda Suene

Jornalista, Colunista do portal Paraíba Online e coordenadora executiva da Expedição do Semiárido

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